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Get Out (Corra!)

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Get out é um filme de terror lançado em 2017,  o filme foi escrito e dirigido por Jordan Peele (diretor que antes desta produção trabalhava com comédia) no filme também participam os atores Daniel Kaluuya e a atrizes Alison Willians e Catherine Keener. Kaluuya é muito conhecido do público Brasileiro pelo episódio estrelado por ele de Black Mirror e a atriz  Catherine Kenner tem participações em diversos outros filmes conhecidos entre eles Into the Wild (Na Natureza Selvagem – Dirigido pelo Sean Penn).

Get out conta a história de um casal de namorados que resolve visitar os pais da moça em uma pequena cidade do interior Americano, uma premissa  bem simples que só funciona por que a primeira cena do filme é muito bem dirigida e abre com muito suspense, além de prometer cenas mais intensas.

Embora o filme seja bem dirigido e a fotografia não prejudique em nada as cenas, o primeiro ato é repetitivo e até clichezendo, as poucas cenas que se destacam da fórmula “namorado inseguro com medo dos pais da namorada” acabam sendo os poucos momentos de tensão que não sustentam com eficienta toda a exposição que o diretor deixou para este inicio.

De todo modo existe um plano sequência muito interessante que é no momento em que Chris (o mocinho) é apresentado aos pais da mocinha, aqui o diretor posiciona a câmera em visões distantes e planos simétricos causando um estranho senso de ordem que destoa com o diálogo do Pai, a cena se desenvolve com pequenas doses de desconforto quem funcionam muito bem para devolver a nós o interesse pelo filme, honestamente quase perdidos com as primeiras cenas.

É preciso dizer que o roteiro está sustentado pela relação entre público e protagonista, onde quando um não sabe de alguma coisa o outro também não sabe, isso é uma linguagem quase padrão em filmes de terror/suspense e aqui não prejudica as cenas, contudo,  após a apresentação das personagens principais o clima do filme acaba ficando monótono.

Chris é apresentado a todo momento para situações confusas e inquietantes mas que acabam não funcionando como deveriam, em algumas cenas eu honestamente fiquei mais irritado com o ritmo lendo e indeciso da cena do que nervoso com o que poderia acontecer com a personagem principal.

Embora o mocinho seja carismático e o trabalho do ator tenha sido muito bem feito, principalmente as expressões, o cara é uma máquina de criar caras e bocas, os problemas apresentados na maioria das situações não me prenderam, em uma cena específica na festa onde Cris resolve tirar uma foto de outra personagem o filme acaba entregando um spoiler de si mesmo que não ficou nada bom além de estabelecer uma alternativa muito pouco criativa.

Filmes de terror são problemáticos, é preciso colocar o público em sintonia com o que acontece na tela de modo que pedra fundamental para todo filme de terror é que o espectador acredite no que está acontecendo, isso é primordial, o público deve acreditar no que está acontecendo, infelizmente em Get out toda a trama é sustentada sobre uma premissa que se torna mais ridícula com o desenvolver do filme.

Para piorar, as cenas de suspense são entrecortadas por cenas de alivio cômico francamente saídas de programas de sketch (local onde o Diretor tem maior segurança). Você acaba dando risada, o ritmo se quebra e o filme volta a estaca zero no quesito “manter o público na ponta da cadeira de nervosismo”.

No último ato, quando todo o clima já está estabelecido e nós já sabemos quem, que, o que, quando, como e o por que de toda a trama, o filme acaba caindo em uma exposição absolutamente contra clímax, é exatamente isso o que acontece, a personagem é sentada em uma cadeira e na frente dela uma televisão mostra passo-a-passo do que foi feito, por que está sendo feito, como será feito, quando será feito e por quem está sendo feito. É como aqueles desenhos antigos em que o vilão prende o herói e antes de desintegrar a cabeça dele com um raio laser resolve, a título de autopromoção, contar o seu plano secreto. Ruim, não funciona, neste momento foi quando eu disse – ok, é isso, que filme ruim – mas aí, para a minha surpresa, foi quando o filme ficou legal.

Nas cenas finais o filme deixa de se levar tão a sério e cai na escatologia de filmes de terror, você vai ver muito xarope de groselha fazendo o papel de sangue aqui, além disso, uma solução final dada pelo mocinho para poder vencer o vilão que ia desintegra-lo com o raio laser me fez dizer – É, ISSO AÊ, PORRA, TOMA ESSA SEU BOSTA, VAI PRA CIMA DELES.

Get out é um filme de terror que salvo algumas cenas não aterroriza, contudo, nem tudo são defeitos; O humor crítico contra o racismo é muito inteligente e nada clichê, a trilha sonora foi bem utilizada, a fotografia é competente e os planos sequência são muito bem programados, o lado negativo é que se você está esperando ver um filme de terror que te faça suar vai se decepcionar muito, este filme possuí cenas manjadas como “o cientista maluco no seu laboratório”, “a vilã que ostenta os troféus de vitimas antigas pregadas na parede enquanto procura uma vítima nova”, “o irmão mais novo problemático, junkie que procura ter um olhar perturbador” enfim, é um pacote completo de clichês.

Agora se você só quer ver um filminho bacana, com boas sacadas, bem dirigido e não se importar muito com o final, este é um ótimo filme para passar o tempo.

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