Filmes, séries e livros

Você deve assistir “Até o último homem” e entender o que é um bom filme para todos os públicos

One more… Please give one more…

Existem duas leituras possíveis para este filme, você pode olhar para ele como uma produção ambiciosa dirigida pelo Mel Gibson, se o Mel Gibson precisa mesmo de apresentações aqui vai, ele estrelou Coração Valente (1995) e dirigiu o polêmico A paixão de Cristo (2004), agora, é possível assistir “Até o último homem” como uma história bem contada e se emocionar com o fato do filme ser baseado em fatos reais e com um final muito satisfatório.

Andrew Garfield estava fora do radar de todo cinéfilo quando interpretou o Homem Aranha, contudo, após atuar como Padre Rodrigues no maravilhoso Silêncio dirigido pelo Scorsese  fica impossível não levar este ator a sério, afinal, o Scorsese não daria o papel principal de um dos seus filmes mais queridos se este ator não fosse muito capaz.

Assim como foi no filme do Scorsese aqui Andrew incorpora o papel de um homem religioso, diferente da outra vez neste ele que se alista no exército para atuar como médico, a principio o roteiro não apresenta nenhuma novidade mas quando você descobre que esse homem se nega a pegar em armas e que tudo é baseado em fatos reais o filme ganha um tom novo.

Gibson abre o filme com uma cena de batalha que não peca em nenhum momento,

Com a mesma competência que ele mostrou em A Paixão de Cristo, o diretor repete a paciência e a persistência em mostrar os horrores da violência de perto, existem muitas feridas abertas nas cenas de batalha e não pense que você verá apenas fumaça e aquela cacofonia habitual dos filmes menos compromissados.

Gibson pretende demonstrar a violência e faz isso com cenas bem ensaiadas de dor e muitos corpos expostos, quando uma bomba explodir perto de um soldado ele não vira uma nuvem de fumaça, ele vira entranhas e pernas voando, nada que se pareça ao estilo gore ou sangue apenas pelo prazer do sangue, Mel tem uma mensagem, uma guerra faz feridos e os feridos são assim, para os de estomago mais sensível Mel não mantém a violência por muito tempo e mesmo a sua crueza é moderada.

Após a cena inicial Mel Gibson segura o ritmo do filme para apresentar Desmond T. Doss (interpretado na infância por Darcy Bryce e adulto por Andrew Garfield), uma criança formada em um lar desfeito, filho de um ex combatente da primeira guerra mundial e uma dona de casa, Desmond e o irmão são criados neste lar habituados a constante violência do pai, Hugo Weaving, que atuou no filme O Hobbit e Capitão América faz um papel muito sólido aqui, o trabalho de voz e dos gestos é muito convincente.

O primeiro ato funciona como um filme de romance despretensioso, Desmond conhece a enfermeira Dorothy Schutte (Teresa Palmer) e a aproximação do casal se dá de forma natural, o contra ponto deste ato é a violência assombrando Desmond, como pano de fundo para o casal existe a ameaça da guerra, é importante frisar que os recursos de narrativa utilizados neste primeiro ato são muito interessantes e a constante presença da guerra é bem utilizada, seja por uma cicatriz na pele de um veterano ou cenas de violência implícita em casa. É gostoso assistir a um filme que não fica te explicando a todo momento o que está acontecendo e te permite interpretar as cenas.

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A partir do segundo ato a percepção de Desmond a respeito da sua realidade muda completamente, é possível enxergar o arco da personagem caminhando para um visão mais madura mas nem por isso menos idealista, em alguns momentos você pode incorrer no erro de acreditar que toda a fibra de Desmond está enraizada unicamente na teimosia, afinal, como um soldado iria para a guerra se recusando a sequer tocar em uma arma? De todo modo, com o desenvolver das cenas fica claro de onde ele tira seu vigor e todo o desenvolver do filme ganha cores novas, ao perceber que Desmond não se trata de um pacifista, ele é um soldado, um soldado que se nega a matar.

No quartel somos apresentados a diversos outras personagens, existe clássico sargento escandaloso que exige respeito, disciplina e molda seus soldados como ferro quente, na base da marretada. Existem os amigos e os desafetos, Gibson foi confiante o bastante para não tentar reinventar a roda aqui.

Como acontecia nas cenas românticas, Mel Gibson não tentou fazer um filme autocongratulatório ou prepotente, as cenas do Quartel e todos os problemas envolvendo essa parte do filme são tratadas de modo claro, com pouca exposição e sem aqueles roteiros truncados, cheios de filosofias e dificuldades, tudo acontece de maneira simples para entender e é possível acompanhar o estado de espirito de todas as personagens já na superfície.

Com o desenvolver do roteiro o público é convidado a refletir sobre quem são os antagonistas da história e é isso que faz deste filme tão prazeroso e torna a sua história acessível para todos, para os que adoram filmes de guerra terão suas cenas de heroísmo, para quem gosta de filmes românticos vão encontrar cenas confortáveis como tomar chá vendo série e para quem gosta de História, aquela com H e feitos intrigantes, vai encontrar uma boa prosa.

A cena final é puro Mel Gibson, mais ambiciosa e explicita essa cena acabou transformando o soldado Desmond em algo além do que ele já era, para mim é uma cena que sobra e eu teria cortado ela fora do filme, teria cortado pois os feitos do personagem no decorrer da história já são o bastante para torna-lo especial, não havia nenhuma necessidade de uma redenção final, de todo modo, ainda assim não diminui o valor do filme. Após a última cena são mostrados relatos das pessoas reais e essa última parte é muito divertida e é um ótimo modo para encerrar o relato.

Até o último homem é um filme sobre a segunda guerra mundial que se destaca do grande mar de filmes com o mesmo tema, é um bom filme sem ser cabeçudo e é acessível sem cair no besteirol. Vale a pena assistir, para os que já viram e concordam ou discordam deixem o seu comentário, seja aqui ou na publicação onde viram este link. Obrigado.

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