Cotidiano

Amanhã tem Libertadores

 

Não tem jeito, mesmo que a gente finja que não gosta ou que usa apenas de modo recreativo, sempre, de algum modo, a televisão acaba em um canal onde está passando o Londrina contra o Vila Nova, um a zero para o Vila Nova, gol achado.

É essa mania besta de contar histórias. Não dá para negar, acho que da mesma maneira que dois buracos e um corte acabam formando um rosto em uma lata de lixo, nós ficamos procurando roteiros para esse esporte, a pior parte é que eles existem.

O cara nunca jogou em um time grande, jamais entrou em campo por um elenco de série A e quando ele entrou foi para substituir um dos principais ídolos dos últimos 4 anos, pensa na responsabilidade, além disso a torcida deste time é uma das mais implicantes com novos jogadores, é o caldo perfeito, o cara entra em campo e não perde um jogo, não perdeu ainda, juro para você, o cidadão já entrou em campo mais de dezenove vezes, zero derrotas, cara.

É o encontro que essa mania proporciona, com duas palavras e um completo estranho acaba se tornando seu melhor amigo – e aquele gol hein? – PORRA, TAVA IMPEDIDO – E TAVA MESMO, VOCÊ É LOUCO – ISSO AÊ, LOUC O TÁ AQUELE TÉCNICO – Simples assim, nasceram juntos.

Funciona como o melhor modo de testar um terreno desconhecido, de buscar uma forma de conexão que seja, lógico, isso por que ás vezes o débito demora um pouco para carregar na maquininha  e no intervalo entre a senha e o papelzinho pode caber um – e o Brasil? Será que vai?.

Olha que loucura, tá na cara que essa pergunta é sobre a bola, que coisa, nem tem como fazer uma pergunta destas se não for para falar de futebol, já imaginou? O absurdo que seria falar assim de graça se o Brasil vai ou não vai, disparate.

Você já sabe a resposta, oh, só pontuar – com Jesus e Coutinho, só dá para ir mesmo né. E dá mesmo.

Além do que, se as histórias e o Brasil não empolgarem ainda dá para atuar como bibliotecário do esporte, pesquisador sabe, é só assistir a uma partida de futebol repleta de modelos para creme de barbear e anunciar – isso aê, ruim demais, no Arapiracarense de Mongaguá joga um meia ofensivo muito melhor – e está feito, quem vai pesquisar? Os mais entendidos vão balançar a cabeça dizer – é mesmo, concordo – Todos sem muita confiança mas cheios de sabedoria.

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Foram 22 anos cara, em 22 anos você consegue ser um dos melhores em uma carreira acadêmica, é tempo demais

Dá para deixar um país inteiro cansado de ver o seu rosto se você ficar vinte e dois anos como presidente, nossa, e faz quantos anos mesmo que nós temos o nosso? É mais ou menos por aí? Nem sei mais.

A bola saiu para a lateral e vinte e dois anos depois foi reposta pelas mãos do Moisés, foi assim, jogada na área, uma novidade meio remendada de diversas outras jogadas, algo que no fundo no fundo nem fez tanta diferença, foram só seis gols marcados com essa novidade, seis gols não vencem um campeonato e seis gols não superam uma espera de vinte e dois anos, mas serviram. Seis gols que determinaram um novo estilo de entrar em campo.

Tudo mudou, claro, os patrocínios eram outros, os jogadores, os rostos na arquibancada mas de algum modo essa máquina de olhar para trás que é o futebol sempre fala do futuro, nós comemoramos um passeio ao passado ali em 2016.

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Amanhã a maquininha começará a rodar novamente, tudo pronto, esse Doctor Who que aparece dentro da nossa televisão e instiga. Essa somatória de narrativas impressionantes que garantem, isso é o tempo e isso é o futebol.

Em campo serão 22, como os anos que nós tivemos que esperar. Para os que estarão em casa o tempo médio do começo da transmissão para o final dela é de duas horas.

Na cabeça de cada um todos estes números dizem alguma coisa, como a camisa 30 que o Palmeirense aprendeu a fazer sinal da cruz antes de passar na frente, é isso, quantas bolas enfiadas.

Números dizem tudo e não dizem nada, se tivermos birra com o jogador os números dele podem ser os maiores do mundo, até mesmo ser a maior contratação e o maior salário, não serve – se dependesse de mim, esse aí não ficaria nem na reserva – dá desgosto.

Agora se o cara é bacana, se o porte dá orgulho e em campo ele levanta grama, pode nem fazer gol, pode ser um pé torto tal curipira que não tem jeito – esse técnico come o que? Deixar o cara no banco?? – são nossos números.

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É o nosso jeito de fazer sentido, poxa, pensa em quanta grana isso faz girar, e ela gira até ficar estacionada no bolso de algum merda que nem assiste futebol, é isso, isso acontece mas olha só, essa bola no travessão, puta merda cara se entra… O tempo para, vivemos no se.  Da gosto, é viver de hipóteses. Se a única coisa que importasse fosse o resultado concreto, o melhor e o pior, quem perdeu e quem ganhou, rapidinho o esporte perderia a graça, ninguém ia assistir. É essa possibilidade, esse desejo latente que traz o sobressalto, a potência está toda no quase, quando acontece, honestamente, às vezes, raras, dá até um desgosto. Por que já foi e foi como mostrou que foi, olha que chato, o mesmo vale para o fracasso, quando o time enfim é derrotado dá uma angústia, não é por que perdeu, é por que fomos privados do se, do o que, do quase… É assim, tempo em suspensão, viver do “mas será”.

Amanhã tem Palmeiras, o jogo mais importante do ano até aqui… Para quem gosta aproveite esse momento, o futebol é, na verdade, esse momento da espera. Vida em suspensão.

Reprodução/Twitter oficial de Edmundo

Reprodução/Twitter oficial de Edmundo

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